Sinais de que você está no limite (e precisa desacelerar)

Mesa de café da manhã com xícara, um vaso de planta perto de uma janela
Imagem gerada por IA/Acervo Universo Delas

Várias vezes deitei à noite para dormir e minha cabeça está em um turbilhão de pensamentos, primeiro de tudo, desacelerar meus pensamentos, e sabe o que faço? Respiro fundo umas três vezes tentando relaxar. Tentando colocar meus pensamentos em algo bom, em alguma lembrança que me acalme. Eu conheço muitas mulheres assim, e acho que você também conhece! Porque hoje em dia o mundo requer que sejamos acelerados, é a casa para cuidar, filhos, trabalho, nossa saúde e dentro de tudo isso que falei envolvem outras questões.

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Exemplo: se você trabalha fora, vêm as cobranças e para não ficar em desvantagem, você tem que estudar e se atualizar. Some isso à colega que quer competir com você ou que aponta qualquer erro seu, mesmo sem querer. Meu Deus? São tantas questões envolvidas e desacelerar fica cada vez mais difícil. Relaxar e dormir tranquila também fica cada vez mais difícil. Hoje eu quero falar sobre o que é, de verdade, “estar no limite“

O que é estar no limite?

Primeiro temos que entender o que é o cansaço comum para entendermos o que é estar no limite. Cansaço normal é aquele que vem depois de um dia cheio. Ele desaparece com uma noite de sono ou um final de semana tranquilo. Esse é o cansaço comum, natural, que vem do esforço e se renova após o descanso. Agora, estar no limite, ou sobrecarregada, é diferente.

É quando nossa mente ou corpo não se recupera, mesmo quando descansamos. É como se tivéssemos uma bateria interna que nunca carrega 100%, não importa o quanto descansamos. A diferença está em persistir. O cansaço normal passa. Estar no limite é uma sobrecarga que fica, que pesa e interfere na nossa saúde mental e física, e também nas nossas emoções. Esse é um sinal de que ultrapassamos o limite do que podemos carregar e precisamos parar, não apenas descansar, mas sim recuar e nos cuidar de verdade.

Eu percebi isso quando teve noites que deitava, dormia e acordava exausta, como se tivesse passado a noite em claro. Em outras noites, eu acordava e ficava horas com os olhos abertos até vir o sono novamente.

Mulher sentada em uma cama toda desarrumada , pensativa, em frente à uma mesinha com uma xícara de chà
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Sinais mais comuns

Nosso corpo e nossa mente começam a avisar quando alguma coisa está errado. Eles mostram claramente os sinais:

  • Nossa imunidade cai, porque o corpo não dá conta de expulsar aquela sobrecarga, e então pegamos gripe e infecções com mais facilidade.
  • Ficamos irritadas por coisas pequenas. Aquilo que seria normal não nos incomodaria, mas vira motivo para desabar ou se aborrecer, como se não tivéssemos nenhuma paciência
  • Os esquecimentos são constantes: nomes, compromissos, objetos que estão sempre no mesmo lugar
  • Perdemos também o prazer com coisas que amávamos, como aquela série, um passeio ou o hobby, todas essas coisas deixam de te dar prazer, como se toda a sua energia tivesse sido consumida
  • O sono não é tranquilo. Custa a vir, acordamos no meio da noite e demoramos para dormir ou nem conseguimos mais dormir.
  • Vivemos com o corpo tenso. Nem percebemos e já estamos apertando os dentes ou encolhendo os ombros, até sentirmos dor ou cansaço físico.
  • O corpo não consegue desligar. A mente continua acelerada e sempre temos a sensação de que está faltando algo para fazer, como se descansar fosse “proibido”.
  • Esses são sinais silenciosos, mas bem claros. Eles avisam que é preciso parar um pouquinho.

Porque a gente chega lá

Geralmente, chegamos ao nosso limite de esgotamento porque estamos acostumadas a carregar aquilo que não podemos carregar e nem suportar. Existe sempre uma cobrança vindo de fora, ou porque nos acostumamos a sempre dar conta de tudo: das tarefas, das expectativas de todos e de estar sempre disponível.

Dizer um simples não parece errado ou difícil. Sentimos que, ao negar algo, estamos sendo egoístas ou decepcionando alguém. Então sempre estamos aceitando mais um pedido, mais um compromisso, mais uma responsabilidade, mesmo estando com nossas energias quase descarregadas.

Eu já disse sim algumas vezes, e fiquei chateada comigo mesma, porque queria cuidar de mim e acabei não cuidando. E o problema não era o pedido, e sim eu não ser honesta comigo mesma, tentando agradar a todos e dar conta de tudo.

E quando finalmente chega a hora de descansarmos, vem aquela sensação de culpa que não deveríamos sentir. Como se descansar fosse errado e essa culpa nos impede de recuperar as nossas forças e mantem o corpo e a mente sempre em estado de alerta, impedindo que realmente descansemos. E assim, pouco a pouco, nos aproximamos do esgotamento.

Agenda aberta com compromissos escrito à mão e uma caneta apoiada na página.
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O que os dados mostram:

Esses números abaixo nos ajudam a enxergar o que passamos no dia a dia. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas por semana aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Veja a comparação com os homens;

InformaçãoDado oficial de 2022
Horas semanais das mulheres com afazeres domésticos e cuidados21,3 horas
Horas semanais dos homens nessas atividades11,7 horas
Jornada total semanal das mulheres, incluindo trabalho remunerado54,4 horas
Jornada total semanal dos homens52,1 horas

A diferença entre homens e mulheres por semana é de 9,6 horas por semana a mais de trabalho para as mulheres. Esses dados são de 2022, segundo o IBGE.

Fonte: IBGE, Biblioteca, Indicadores sociais das mulheres no Brasil, 2022 https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102066_informativo.pdf

Pequenas mudanças que ajudam

Você não precisa mudar tudo de uma só vez, mas mudanças graduais com certeza vão ajudar pouco a pouco e fazer muita diferença para aliviar a sobrecarga de tarefas. É preciso ter constância e são escolhas simples:

Reserve 15 minutos sem telas por dia

Você sabia que nosso cérebro não desliga como um interruptor? A transição é gradual. A mudança das ondas de alerta (beta) para as de calma (alfa) começa em 3 a 5 minutos de relaxamento e a sensação de calma mais profunda costuma chegar em 10 a 20 minutos, e o que fazer nesses minutos? Dar uma caminhada, alguns minutos de respiração profunda, uma xícara de chá sem pressa ou algumas páginas de um livro leve. Desligar televisão e celular por um curto período ajuda a prestar atenção no que precisa ser feito, sem distrações. Essas pequenas pausas reduzem o cansaço mental e deixam a rotina mais leve. Além disso, o horário não precisa ser sempre o mesmo. O importante é que esse momento seja seu, sem interrupções.

Divida as tarefas de casa com quem você mora

Mulheres sabem como é tediosa e difícil a rotina doméstica, então tentar dividir essas tarefas ajuda muito, e essa responsabilidade não pode ser de uma única pessoa. Combinar com quem mora com você pequenas atribuições para cada um: lavar a louça, organizar os objetos ou cuidar de um cômodo. Compartilhar não significa dividir e sim distribuir conforme a disponibilidade de cada um. É um exercício de colaboração e diálogo, e lembre-se que isso não é uma cobrança.

Aprenda a adiar pedidos que não são urgentes

Muitas vezes, nos sobrecarregamos achando que tudo precisa ser resolvido na mesma hora ou naquele mesmo dia. Você precisa parar e se perguntar: isso precisa ser feito ou resolvido agora ou hoje? E se não precisar dessa urgência, não tem problema nenhum deixar para o outro dia ou depois. Isso vai ajudar a manter o foco no que realmente precisa ser feito naquele momento. Essas ações não vão resolver seus problemas nem trazer resultados imediatos, mas aos poucos você vai ver que vale a pena tentar.

Uma xícara de chá encima de uma mesa com um vasinho de flores e um caderno aberto com uma caneta encima
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Fechamento

Os dados acima mostram uma realidade: não somos fracas nem exageradas. É sobre o peso que somos obrigadas a carregar pelo simples fato de sermos mulheres. Temos que reconhecer que não precisamos provar nada para ninguém, nem fazer algo que não queremos. Temos que aprender que podemos pedir ajuda, que não estamos sozinhas, que podemos dialogar, dividir nossos afazeres, fazer pequenas mudanças e, sempre que possível, amar e cuidar de nós, acima de tudo.

E você: como tem dividido as tarefas da sua casa e dos seus compromissos? Tem alguma dica que já funcionou para você? Compartilhe conosco nos comentários.